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Ventos brasileiros

A matriz energética brasileira é bastante diversificada, há opção do uso de recursos não renováveis como petróleo e carvão mineral, e disponibilidade recursos renováveis como água, vento, calor solar e biomassa.

O território brasileiro possui vantagens estratégicas se comparado a diversos países, contudo seu aproveitamento produtivo ainda está abaixo do potencial, principalmente em se tratado da geração de energia eólica.

A produção de energia proveniente das hidrelétricas é a base do sistema energético nacional, o que demonstra que o país tem explorado seus recursos hídricos. O mesmo pode-se dizer em relação ao petróleo, fato comprovado pela auto-suficiência desse recurso desde 2007 e a continuidade de investimentos em projetos como o Pré-Sal.

Contudo, o investimento na produção eólica brasileira ainda não é significativo, mas desponta como uma oportunidade que merece atenção.

No país são produzidas pás de mais de 30 metros de comprimento, geradores eólicos, torres, transformadores entre outras ferramentas utilizadas para construção de fazendas eólicas, o Brasil seria responsável por 90% da construção de um projeto eólico em seu território, o que significa praticamente independência produtiva.

O tempo para a construção de uma usina eólica de 200 MW é de aproximadamente seis meses, e a propriedade em que ela estiver sendo construída pode continuar com suas atividades agrícolas normalmente mesmo após o inicio da operação do projeto eólico, além disso, o proprietário recebe um aluguel pela área de sua terra que estiver sendo utilizada para produção de energia.

A construção de uma usina eólica e os equipamentos necessários para tal apresentam custo elevado assim como nas hidrelétricas, a compensação do investimento financeiro ocorre após o início da produção devido ao baixo custo de manutenção e operação da usina. Se comparado com Gâmbia que tem disponibilidade de apenas 4.5 litros de água por pessoa ao dia ou com países do Oriente Médio que apresentam regimes climáticos áridos, o Brasil apresenta enorme disponibilidade, tanto de água como de vento.

O custo do MWh eólico varia com o regime de ventos no local, o Ceará, por exemplo, está produzindo energia a US$ 42,00/MWh sem nenhum subsídio exagerado. Vale ressaltar o fato de que todas as demais formas de produção de energia recebem subsídios governamentais, que variam desde a isenção de impostos até o investimento público direto na produção.

No Brasil há poucos incentivos por parte do governo para produção de energia eólica.

A legislação atual de certa forma prejudica a realização de projetos eólicos visto que trata preferencialmente das hidrelétricas e coloca em segundo plano as demais formas de produção renovável.

As hidrelétricas são certamente a sustentação do sistema energético nacional, entretanto, o investimento em projetos eólicos não alteraria essa realidade já que a energia eólica não pode ser armazenada, precisa ser utilizada no momento em que é produzida, o que faz com que seja uma energia complementar, e não de base.

Os grandes impedimentos para o desenvolvimento da energia eólica no país são a falta de legislação especifica e o desinteresse público.

O Brasil apresenta condições climáticas favoráveis, produção nacional do maquinário utilizado nas usinas eólicas, possibilidade de investimentos e grande chances de lucratividade, portanto vale dar atenção a essa possibilidade.

Lara Del’Arco

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