Num mundo em que a circulação de bens e pessoas tornou-se algo bastante corriqueiro, os meios de transporte assumem grande pertinência e interesse para qualquer nação.
Nesse contexto, o setor ferroviário destaca-se por seus vários benefícios e obriga os responsáveis pelo sistema a analisarem as condições das ferrovias e a nelas investirem.
Nesse sentido, é estabelecida a discussão a respeito do que é feito, atualmente, em prol do desenvolvimento desse setor, já que é capaz de interferir na economia e nas relações sociais, além de estabelecer paradigmas, inclusive, para o comércio exterior.
Para realização de uma análise que espelhe a atual realidade do sistema de transporte brasileiro e, em especial, do setor ferroviário do país, o presente artigo trabalha com dados fornecidos pelo governo brasileiro e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O sistema ferroviário brasileiro demonstrou-se bastante tímido durante a segunda metade do século XX, enquanto o setor rodoviário estendia-se sem que houvesse limites definidos.
A partir de 1992, foi dado início ao processo de privatização, de concessão e da delegação de serviços públicos de transportes a estados, municípios e à iniciativa privada.
As empresas passaram a investir pesadamente no setor ferroviário, de maneira a modificar o perfil do sistema: houve uma considerável melhoria quanto à alocação de recursos e uma diminuição no tempo de imobilização e nos custos de produção; as operações tornaram-se mais eficientes, o próprio mercado de transportes passou por uma fase de desenvolvimento, os serviços passaram a ser considerados de qualidade e o Estado foi desonerado.
Paralelamente a todos esses aspectos positivos decorrentes da privatização, está a diminuição de 80,7% no número de acidentes durante um período de onze anos, de 1997 a 2008, bem como o aumento de 81,5% no volume transportado por ferrovias no mesmo período.
A iniciativa privada proporcionou, também, uma maior capacidade de movimentação, mais integração das ferrovias com outras modalidades de transporte e pesados investimentos na manutenção da malha, na modernização do material rodante, na capacitação de funcionários e na eliminação de dificuldades operacionais.
Dessa forma, percebe-se que a transição dos serviços públicos à responsabilidade privada trouxe consigo um enorme desenvolvimento para o meio de transporte referido. No entanto, percepção ainda mais interessante é a de que as empresas que integram o setor ferroviário ultrapassaram o âmbito privado e reservaram atenção especial à realidade das regiões em que atuam.
A partir de iniciativas bastante criativas, demonstraram respeito pelas comunidades nas quais estão inseridas e a consciência de que, não somente, possuem o papel de preservar o meio ambiente e de participar com efetividade da rede que busca promover melhor qualidade de vida para a população brasileira, mas também, o papel de poder modificar a realidade, visto o tamanho de seus empreendimentos e a interferência que causam na economia e, consequentemente, na sociedade como um todo.
As empresas vinculadas ao setor ferroviário são responsáveis pela criação de institutos, pela concretização de ações socioambientais capazes de garantir a qualidade de vida, pelo desenvolvimento de projetos e ações concretas que visam a melhorar a vida dos colaboradores, de seus familiares e da comunidade nas quais se inserem e pela promoção de campanhas de conscientização e de solidariedade.
Procuram, ainda, manter um bom relacionamento com as comunidades onde estão presentes e garantir a elas total segurança, além de promoverem ações socioeducativas e de reintegração e de repassarem recursos para projetos ambientais, sociais e culturais de interesse público.
Diante da pertinência dos problemas ambientais na realidade mundial atual, os empreendimentos dedicados ao setor ferroviário também procuram atender às condições exigidas a fim de que haja o máximo de esforço em prol da saúde do meio ambiente.
Logo, procuram adequar-se à regularização ambiental, por meio da realização de estudos ambientais e de análises de riscos.
De qualquer forma, automaticamente contribuem para a preservação da natureza, visto que trens poluem menos, ocupam menos espaço e causam menos acidentes que automóveis.
A partir desse contexto, pode-se concluir que é possível a existência de organismos do setor privado capazes de valorizar o interesse público e, assim, responsabilizar-se pelo bem comum. Tal comportamento impõe-se como o primeiro passo para aqueles que cultivam o desejo de relacionar-se com culturas diferentes e com outros países, visto que funciona como um bom desempenho diante do que existe ao redor de si mesmo e serve, assim, de base para o estabelecimento de relacionamentos cada vez mais complexos.
A valorização e a importância canalizadas para a comunidade, para a nação e para tudo aquilo que é público constroem indivíduos e empreendimentos especialistas em bons relacionamentos, principais responsáveis pela concretização do sucesso em qualquer época ou contexto da vida.
É por meio de tal procedimento que as empresas ferroviárias brasileiras crescem em direção ao auge de sua qualidade.
Ainda que persistam diversos obstáculos, como as invasões nas faixas de domínio das ferrovias, as passagens de nível críticas e as promessas do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) que são acompanhadas de diversos aspectos contraditórios e que garantem melhorias apenas a médio e longo prazos, há fatores positivos capazes de impulsionar o setor.
Além dos pesados investimentos que se dão através do uso de tecnologias e da intermodalidade, o mercado de movimentação dos fluxos internacionais apresenta-se bastante dinâmico, competitivo e seguro, o que colabora para a manutenção de tratados, como o Acordo Para Facilitação de Transporte de Produtos Perigosos e o Acordo Sobre Transporte Internacional Terrestre, ambos vinculados ao MERCOSUL.
Dessa forma, ocorre o incremento do comércio, do turismo e da troca de cultura, já que o transporte de bens e de pessoas é garantido por uma malha ferroviária que enxerga largos horizontes.
Luisa Fondello




