Setor Elétrico e de Energia no Oriente Médio

O carro-chefe das economias na região do Oriente Médio sempre foi o petróleo, mas o que poucos sabem é que o setor energético – em geral nos países que estão localizados nessa região – está em crescimento, muito graças às empresas brasileiras.

De acordo com a Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica, especialmente os produtos elétricos brasileiros têm uma boa competitividade para se estabelecer no mercado árabe.

Produtos que variam de transformadores até simples ferragens são os mais procurados pelos árabes, por serem usados em transmissão e distribuição de energia elétrica. Um dos grandes fatores responsáveis por isso é o setor de construção civil, que nos países árabes é crescente, e não apenas em pólos econômicos como Dubai, como também na Líbia, Arábia Saudita e Egito.

Outra prova que o setor energético cresce no mundo árabe é que o Kuwait terá sua primeira usina elétrica privada. As licitações para tal projeto já estão abertas e a planta funcionará para a geração de energia e dessalinização da água. Com a expansão populacional, a demanda por água nessa região de deserto e também por energia está obrigando os países a procurarem novas fontes.

Na Arábia Saudita, há planos de investimento de US$ 80 bilhões no setor elétrico.

Tanto a geração quanto a distribuição elétrica serão beneficiadas por esse plano que utilizará o petróleo na sua produção. Utilizando-se do petróleo para ampliar a geração de energia elétrica, além de outras fontes, os árabes pretendem ampliar em quase 50% sua capacidade de produção em 10 anos, um aumento de 20 mil megawatts em um setor que hoje já produz 42 mil megawatts. Apenas nos próximos três anos, US$28 bilhões devem ser investidos para ampliar a produção saudita.

Há até países que se aproveitam de situações políticas para ganhar dinheiro com o setor de energia. É o caso do Brasil.

Aproveitando-se dos bloqueios comerciais que o Irã está enfrentando, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge liderou uma missão empresarial a Teerã que tinha como item de pauta o etanol brasileiro. O Irã até produz petróleo, mas tem dificuldades em utilizá-lo, uma vez que não possui refinarias. Por isso, o etanol brasileiro seria um modo de o Irã suprir um pouco suas necessidades de energia, com os iranianos também investindo em fundos de usinas brasileiras produtoras de etanol.

A boa notícia é que há margem para melhorar. De acordo com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, 10% de tudo que os países árabes importam são itens relacionados a produtos eletroeletrônicos, um bolo de quase US$ 50 bilhões em 2008, cuja fatia brasileira representa apenas US$ 108 milhões. Os produtos desse setor normalmente têm como destino os Emirados Árabes, Arábia Saudita, Catar e Egito.

Gabriel H. Trindade

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