Dizer que o Brasil é um grande produtor agrícola não é nenhuma novidade, já que o país é um dos líderes mundiais na produção e exportação de vários produtos agropecuários. É o primeiro produtor e exportador de café, açúcar, álcool e sucos de frutas e, além disso, lidera o ranking das vendas externas de soja, carne bovina, carne de frango, tabaco, couro e calçados de couro.
As projeções indicam que o país também será, em pouco tempo, o principal pólo mundial de produção de algodão e biocombustíveis feitos a partir de cana-de-açúcar e óleos vegetais. O agronegócio é responsável por 33% do Produto Interno Bruto (PIB), 42% das exportações totais e 37% dos empregos brasileiros.
O Brasil, entretanto, poderia ampliar ainda mais sua produção, considerando que “gargalos” institucionais (como leis defasadas e sobrecarga tributária) e de infraestrutura (logística e tecnologia) ainda travam a competitividade do Brasil no cenário internacional.
O país, que possui a oitava economia do mundo, ocupa apenas o 38º lugar num ranking com 58 países feito pela faculdade suíça Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Administração, em parceria no Brasil com a Fundação Dom Cabral (FDC).
O principal problema, que reflete a baixa posição brasileira no ranking, reside na falta de eficiência do governo em todas as esferas: logística, tecnologia, ciência, educação, saúde e ambiente. Leis defasadas, carga tributária alta, ausência de marcos regulatórios, burocracia excessiva para abrir empresas e firmar contratos de exportação, são algumas das travas que “seguram” a competitividade.
Mesmo com todas as dificuldades, o Brasil continua entre os lideres no mercado de commodities agrícolas nas últimas quatro safras: 2004/2005, 2005/2006, 2006/2007, 2007/2008, no qual o país mostrou aumentos seguidos em sua produção. Na safra 2008/2009 houve uma queda pequena influenciada pela crise, mas a expectativa para a safra 2009/2010 é de produção recorde quase 147 milhões de toneladas. Quem perde com a falta de infraestrutura do Brasil são os próprios produtores brasileiros. Entraves não permitem que, mesmo com toda capacidade de produção, o país entre com todas as suas armas no mercado internacional.
Autor : Jean Tostes Marcouizos



