
Já é não mais possível, enquanto nação, viver no isolamento.
É ideal que as portas sejam abertas para oferecer ajuda àqueles que dela necessitam, a fim de que o apoio externo também seja dado quando preciso.
O olhar do Brasil para África é exemplo de tal postura.
As relações entre Brasil e África foram impulsionadas pelo governo Médici, época em que o crescimento econômico exigia abundância em fontes de energia, que podiam ser encontradas no continente africano.
Atualmente, a relação ainda é fundamentada por tal objetivo; porém, ainda que a solidariedade não seja a real intenção do Brasil ao influenciar a economia africana, o perfil estrutural e econômico de várias regiões da África pôde ser beneficiado pela atuação brasileira. Tal interferência ocorre, principalmente, na área de construção civil, ainda que o custo seja extremamente elevado, devido à necessidade de remoção das minas, que precede o início das construções.
Ao se considerar apenas o âmbito econômico, pode-se dizer que o continente é um mercado demasiadamente importante para o Brasil, já que muitos dos países africanos crescem de 15 a 20% por ano. Assim, os investimentos brasileiros podem trazer repercussões bastante positivas, justamente pelo alvo se tratar de países em que o PIB dobra em apenas quatro anos, e têm repercussão na medida em que colaboram para o desenvolvimento da infra-estrutura dos países africanos.
A Odebrecht, empresa de empreendimentos imobiliários, por exemplo, é a maior empregadora particular em Angola.
Diante desse contexto, torna-se dubitável a atitude de diversos empresários que se recusam a investir no continente. A ajuda humanitária à África deixa de ser totalmente aconselhável, visto que, não raramente, visa à proliferação da religião e é capaz de impedir a manutenção do senso crítico da população, por substituir a função do governo e estimular, assim, que ele faça da transferência de seus deveres ao terceiro setor algo natural.
Enquanto o altruísmo de pessoas do mundo inteiro é convertido em corrupção e impede o desenvolvimento econômico dos países africanos, os envolvidos no meio corporativo e as tantas transnacionais espalhadas pelo planeta negam-se a instalar indústrias e franquias na África.
Ao recusarem propostas dos governos africanos, seja por preconceito ou por subestimação da situação econômica de tais regiões e do que têm a oferecer, os empresários perdem a oportunidade de se envolverem com países riquíssimos em recursos naturais e, não raramente, pouco afetados por crises, por estarem menos integrados com a economia mundial.
Enquanto é facilmente previsível que conferem às próximas décadas disputas por tais elementos, a hidrografia africana não é devidamente aproveitada devido à escassez de meios tecnológicos para tal.
Nesse sentido, torna-se previsível também que o mundo manterá os olhos fechados para o continente africano até que dele passem a depender.
“Luísa Fondello é consultora da Prisma Consultoria Internacional”



