“O Brasil é a potência do século XXI a se observar”.
Foi isso que disse o jornal Financial Times, em outubro do ano passado.
Assim como o periódico, muitos outros veículos da mídia e autoridades do setor econômico defendem a ideia de que o Brasil é e será uma das economias mais importantes no cenário internacional.
Todo esse crescimento econômico alardeado pelos meios de comunicação está, em grande parte, ligado ao aumento das exportações brasileiras, sobretudo para a economia que mais cresce no mundo: a China.
Isso pode significar um risco para a economia brasileira, uma vez que ficamos sujeitos às oscilações do mercado chinês e à continuação da demanda por commodities.
De acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, no ano de 2008 o Brasil exportou R$ 197.942 bilhões. Deste total, a China foi responsável por 8,3%, cerca de R$ 16.403 bilhões em mercadorias e serviços.
Para efeito de comparação, em 2000, as vendas brasileiras à China representaram cerca de 1% das exportações nacionais, contabilizando pouco mais de R$ 1 bilhão. A partir desses dados é possível observar que as transações entre os dois países têm crescido em um ritmo incrivelmente rápido.
O crescimento econômico brasileiro está atrelado ao chinês, tendo em vista o fato de que, pelo menos nos últimos 10 anos, nossas exportações aumentam no ritmo da demanda do gigante asiático.
Essa crescente dependência assusta alguns especialistas, já que um único país está concentrando uma parcela considerável das vendas brasileiras.
Mas a questão é: como não se tornar dependente do país que mais consome no mundo?
A resposta para a pergunta acima é clara, é praticamente impossível não se vincular ao crescimento chinês, entretanto o ponto a ser analisado não é o quão ligados estamos a esse país, mas sim fundamentada em que produtos essa relação se estabeleceu.
Atualmente, dos dez principais produtos da pauta de exportação brasileira à China, nove são commodities e correspondem a mais de 87% de nossas vendas ao país asiático.
Por serem produtos com baixa tecnologia envolvida em seu processo de fabricação e/ou extração, o mercado de commodities oferece uma ampla gama de fornecedores, já que são muitos os países produtores, deixando o Brasil em uma situação não muito confortável em relação às trocas comerciais sino-brasileiras.
A China, por outro lado, apresenta uma situação diametralmente inversa: dos dez produtos mais vendidos ao Brasil, apenas um é commodity, enquanto que os outros nove são industrializados ou semi-industrializados, ou seja, possuem um valor agregado superior às exportações brasileiras.
Para resolver essa situação um tanto quanto desvantajosa ao Brasil seria necessária uma diversificação da pauta de exportação brasileira para a China, bem como defendeu o ministro da Fazenda Guido Mantega, em entrevista no dia 4 de junho deste ano.
Seria interessante ao empresariado brasileiro essa diversificação, uma vez que explorariam segmentos do mercado chinês ainda ignorados por nossas empresas e que tendem a se expandir no mesmo ritmo da economia do gigante asiático.
Não podemos nos esquecer, no entanto, de que há exportações brasileiras de produtos industrializados para a China, com destaque para os componentes da indústria aeroespacial, na qual o Brasil é o sexto maior produtor mundial e tem na Embraer seu mais importante representante.
Esperemos que este exemplo de empreendedorismo brasileiro não seja uma exceção, a fim de consolidarmos uma relação comercial saudável com a China, obtendo bons resultados com nossas exportações.
Tomás Magalhães Andreetta



