
A economia verde gera cada vez mais dinheiro.
São recorrentes nos dias de hoje textos que explicitam a necessidade de se preservar o meio ambiente através da redução da emissão de gases poluentes e do melhor aproveitamento dos recursos. Essas atitudes, no entanto, são dispendiosas e acabam assustando a iniciativa privada e até mesmo governos.
Porém são poucos os autores ou articulistas que atentam para um lado economicamente mais interessante da questão ambiental: a quantidade de empregos criados, as tecnologias desenvolvidas e, não poderia deixar de constar, grandes somas de dinheiro.
Uma das facetas mais discutidas sobre os problemas ambientais é a produção de energia.
Nos últimos 30 anos houve um aumento significante em termos de produção e consumo de energia em todo o mundo. A energia produzida saltou de aproximadamente 8500 ktoe (sigla em inglês que significa, em tradução livre, toneladas equivalentes de petróleo) para 12000 ktoe.
Apesar disso, a energia limpa continua tendo um papel secundário, sendo responsável por cerca de 18% da energia mundial se levarmos em consideração tanto a energia hidroelétrica quanto as de menor aplicação (eólica, solar, maremotriz, etc.).
Um dos maiores diferenciais das energias limpas é sua variedade, uma vez que para cada tipo de energia há um ambiente necessário, por tanto a sua produção não está restrita a determinada região do mundo.
Exemplos disso são as energias eólica e solar: se por um lado a primeira depende do vento, geralmente mais intenso nas zonas litorâneas, por outro a segunda precisa de regiões com grande incidência de raios solares para a instalação de fazendas solares, na maioria dos casos desertos no interior dos continentes. Por tanto, a viabilidade econômica de projeto envolvendo energias limpas é grande, uma vez que não há restrição espacial.
Outro ponto benéfico das energias renováveis é a possibilidade de instalação em escalas reduzidas, podendo abastecer pequenas vilas ou até mesmo casas isoladas. Essa característica poderia ser utilizada em projetos de universalização da distribuição de energia elétrica como é o caso do programa Luz Para Todos do governo federal brasileiro, que determinou a utilização de captadores solares.
Atitudes como essa, além garantir a qualidade de vida da população ainda significa um grande passo no que diz respeito ao incentivo à indústria ligada ao setor.
Países que investiram no desenvolvimento de energias sustentáveis, principalmente a eólica, têm hoje grandes empresas que além de empregarem milhares de pessoas ainda contribuem para o desenvolvimento tecnológico, como, por exemplo, a dinamarquesa Vestas e a norte-americana General Electric.
Se por um lado a mudança de matrizes energéticas causa temor aos políticos e empresários, por outro a produção de energias renováveis pode vir a significar um desenvolvimento econômico semelhante ao das grandes descobertas no setor, ou melhor, superá-las, já que a energia verde tem a vantagem de ser infinita.
Tomás Magalhães Andreetta é consultor de Projetos da Prisma Consultoria Internacional



