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A hora de desistir

Desistir, jamais!!!

Será?

Essa frase é muitas vezes acompanhada do orgulho, gerado pela insegurança daquele que precisa mostrar determinação.

Sócrates diria que toda verdade deve ser questionada.

Ainda, nem tudo o que é senso comum deve, sempre, ser aplicado. Para isso, criou mecanismos para detectarmos se determinado conceito é falho.

Quando é o momento certo para questionarmos a desistência?

Nenhuma desistência é completa a partir do ponto que todo desvio de conduta leva à prática de uma nova situação.

Estou definindo a palavra “desistir” no sentido de definir outras prioridades, execuções ou ações, ou seja, traçar novas rotas, reciclar, adaptar.

Desistir, dessa forma, passa a ser apenas o desvio de antigas práticas para novas posturas e perspectivas de algo que havia sido previamente traçado.

Nesse sentido, em todo momento, deveríamos questionar se estamos indo pelo melhor caminho e estarmos abertos para desviar, ou “desistir”.

Nossa preocupação deve ser no sentido de desistir dos meios, se necessário, para atingir os fins, que são a essência.

A desistência, na realidade, nada mais é que a alteração de uma rota idealizada.

Desistência não é fracasso.

Quando um avião é obrigado a desistir do pouso, tendo que arremeter, não dizemos que foi um vôo fracassado e sim, que esse tipo de alteração é aceitável para que o objetivo primordial, que é chegar ao destino, seja alcançado, com mais prudência.

A palavra desistência causa calafrios, gera diversos traumas, promove acusações e julgamentos que determinam que o que desiste, é fraco, não persiste, portanto incapaz.

Que desistência é completa?

Que término, em si próprio, se completa?

Toda desistência, por ela própria, abre novas perspectivas, sempre.

Não se desiste do trabalho, sim “daquele” trabalho.

Não se desiste do cliente, sim “daquele” cliente.

Não se desiste, muitas vezes, de uma venda e sim de insistir, naquele momento, no comprador.

Será que essa é a sua hora de desistir?

Todo momento é momento de “desistir”, no sentido de mudar o foco, adaptando as ações para as novas realidades, se complementares, mais concretas e coerentes.

Em uma ocasião, prestei consultoria para um empresário que tinha por volta de 80 anos. Me recebeu trajando um antigo terno, gravata e chapéu. Sua empresa  tinha posturas compatíveis com o que ele sempre executou, em suas longas décadas de experiência, sem reciclar, sem se adaptar. Como em seus trajes, era tradicional também, em suas práticas.

Até onde ir? Quando parar? Quando insistir?

A IBM foi a maior fabricante de computadores por muitas décadas, em um determinado momento, vendeu sua divisão industrial para empresários chineses.

Hoje, continua sendo uma das maiores empresas do mundo, voltada agora para serviços. Sendo assim, a IBM “desistiu” de comercializar os mesmos produtos, que anteriormente a haviam posicionado como uma potência. O mais intrigante é que essa decisão foi tomada na época, onde os produtos que comercializava ainda eram amplamente aceitos pelo mercado. Então, por quê desistir?

Algumas vezes, a desistência não vem apenas porque o mercado rejeitou sua atuação mas, ao contrário, aprovou, fazendo uma oferta que justifique sua alteração de rota, estruturando ainda mais sua empresa como um todo.

Por mais que você adotasse outra prática, ou não fosse partidário dessa atitude, não poderia afirmar que a IBM é um exemplo de fracasso por ter desistido de seu caminho, adotando um novo foco.

Milhares de exemplos e posturas devem ser analisados para que possamos definir com exatidão onde a desistência é fracasso e onde a desistência é opção para o progresso.

Em outro momento, trabalhei com uma indústria de confecção que tinha a intenção de vender seus produtos para grandes empresas, quando na realidade o seu objetivo deveria, primeiramente, ser lucrativa, definindo o que vender e não para quem vender.

Essa postura fez com que essa empresa enfrentasse sérias dificuldades na medida em que bons representantes e vendedores desistiam de trabalhar ali.

Vendas não eram efetuadas porque a empresa não tinha intenção de faturar pequenos pedidos, assim, tudo, aos poucos, foi se deteriorando.

Algumas empresas devem ter essa postura, outras não, por isso a análise sempre deve ser específica e não genérica, como alguns querem impor.

Minha direção, para este caso, foi para que a empresa se tornasse mais maleável e permitisse que vendas menores, na soma, também trouxessem lucros.

Desistimos de insistir na antiga concepção, adaptei as estruturas e possibilitamos novas práticas.

Essa postura foi tomada e aos poucos a empresa pôde voltar ao azul…. assim, a desistência de se focar em apenas grandes clientes, foi um fracasso?

Estarmos atentos às novas tecnologias, fatores sociais, anseios dos consumidores, são fatores preservativos, evolutivos e não falhas e fraquezas.

Grandes projetos devem ser moldáveis e maleáveis.

Quando a conquista de determinado território é o objetivo de um exército, a mudança de estratégia e a adaptação aos fatores limitantes devem ser consideradas.

Quando desistimos (ou mudamos o foco de determinadas práticas), nada é totalmente perdido, portanto os traumas subliminares que a palavra oferece, devem ser deixados de lado, isso é viver os momentos atuais com base nos momentos futuros.

Adaptar idéias é progredir.

Desistir dos padrões previamente estipulados, quando necessário, é evoluir.

Ser determinado e ter posturas coerentes, as vezes, é saber “desistir”.

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Voltaire e a liberdade

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“Desaprovo aquilo que diz, mas defenderei até a morte o teu direito de dizer”

Voltaire, escritor, filósofo e poeta francês, teve um importante papel na filosofia.

Seus escritos polêmicos encontraram sucesso imediato nos salões nobres de sua época, alguns, contra o regente francês causaram sua prisão na Bastilha.

Sua filosofia lutava a favor da liberdade. Posicionava-se contra a a intolerância religiosa, a falta de expressão, idéias políticas, filosóficas e científicas livres.

Voltaire via a filosofia com um importante papel na busca e no encontro de respostas, para isso, seria imprescindível a liberdade do pensamento e expressões, sendo para ele, a única forma de se chegar a conclusões mais profundas e coerentes.

Quais são os objetivos da empresa que você criou ou administra?

Estou indo além do contrato social… questiono suas intenções no despertar diário, no dedicar de horas de vida direcionadas para seus negócios, no abrir mão de familiares, amigos, eventos, lazeres, ócio.

Respondendo a essa questão, talvez você valide com mais lucidez seu papel no administrar de seu negócio, bem como o papel que oferece no contexto social onde se apresenta, os impactos que produz, interferências econômicas, etc…

Ter um objetivo consciente é fundamental na continuidade e sucesso de seu empreendimento. É através de onde sua força permanecerá, produzirá, insistirá, seja em momentos de crises ou dificuldades e quando obstáculos imponderáveis surgirem.

Em uma ocasião, prestei consultoria para um empresário com uma boa visão teórica de seus empreendimentos, na abertura de opiniões e melhorias.

Em uma manhã, quando nos reuníamos em um momento onde todos estavam chegando a seus postos, um funcionário que era tido como competente, ao chegar e passar por sua sala o saudou dizendo:

- Bom dia Seu Fulano…

Naquele momento, a expressão do “Seu Fulano” se transformou e com um olhar enfurecido, de extrema reprovação, respondeu:

- Seu Fulano não, Dr. Fulano e outra coisa, o Sr. está demitido.

Essa foi a reação do empresário que em teoria buscava meios para melhorar sua empresa, deixando a mim e ao funcionário atônitos pela intempestividade irracional de um gesto de orgulho descabido onde o incentivo a idéias e a liberdade para expressá-las, na teoria, seriam valorizados.

Seu título vale mais que sua empresa?

Seu funcionário competente vale menos que seu orgulho?

Quanto sua empresa investe em incentivos para gerações de idéias?

São oferecidas premiações, bônus, benefícios para os que se propõe a dar uma solução produtiva ou oferecer uma idéia coerente?

A questão nesse caso é, não importa a quantidade de incentivos que você oferece se o bloqueio for você ou um chefe do funcionário pensante.

Quando não há liberdade de expressão as idéias não surgem, as opiniões se omitem, as observações se escondem, os objetivos divergem, os incentivos a nada e a ninguém incentivam.

E, ao contrário, em um ambiente onde não haja benefícios materiais diretos mas que cultive o exercício do livre pensar, onde as opiniões são compartilhadas e promovidas, o ambiente se estrutura, cresce, se aperfeiçoa.

Se você tem um funcionário em determinado setor, parta do pressuposto que este  conhece bem o trabalho que realiza, ou não o mantenha lá. Se ele realmente conhece o que faz, suas opiniões devem ser permanentemente bem vindas, ainda que pareçam ilógicas, merecem ser ouvidas… executadas quando viáveis e quando não, explicadas com parcimônia e respeito o porque de sua não adesão.

Se você encontrou a resposta para o sentido de manter-se empresário, acredito que buscará melhorias, convicto que tais ações vêm com realizações bem planejadas e executadas, idealizadas por você ou quaisquer de seus parceiros na condução do negócio.

Defenda, como Voltaire, a liberdade de dizer sem reprovação ou pressão, com pensamentos livres, leves e objetivos.

Quanto ao “Dr. Fulano” que citei acima, anos se passaram e soube que perdeu tudo o que tinha, você saberia me responder por quê?

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Pitágoras e o planejamento

 

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Filósofo e matemático grego, Pitágoras é o pré-socrático mais conhecido até hoje.

Até hoje o teorema de Pitágoras é conhecido pelos estudantes de matemática e foi ele também que criou a idéia do “quadrado” e do “cubo” dos números, aplicando assim conceitos geométricos à aritmética.

Alguns creditam a ele a invenção do termo “filosofia”, assim como a aplicação da palavra “cosmo” ao universo.

Sua grande contribuição for ter relacionado a matemática com a filosofia, a partir daí, diversos outros filósofos foram para o mesmo caminho e suas teorias filosóficas puderam se aprofundar com teor matemático, portanto racionais.

Hoje em dia é natural que saibamos e associemos a matemática como fator imprescindível para a compreensão do universo, cálculos da física e observações científicas jamais teriam evoluído ao nível atual se não fosse através destes primeiros passos.

Posteriormente, as correntes racionalistas da filosofia fizeram uso da matemática para sustentar suas opiniões e puderam oferecer grandes saltos lógicos para toda a humanidade, dissipando tradições que desdenhavam da razão, para encontrar soluções com o auxílio de cálculos.

Como você desenvolve o planejamento em seus negócios?

Quando é traçado o planejamento de uma empresa, são usados diversos cálculos matemáticos com o fim de nos auxiliar no caminho para seguir. São referências com base no o mercado, ou ainda, traçando um paralelo com empresas similares, quando for um produto novo a ser desenvolvido.

Qual o limite para as projeções e até onde podemos, realmente, nos apoiar nelas?

Já acompanhei estudantes inexperientes e profissionais com muita experiência, perdidos na mesma questão.

Após o desenvolvimento de suas projeções, algumas com mais lógica e prudência, outras nem tanto, o desenvolvedor do projeto se apega de tal forma nelas, como se o que antes era apenas uma previsão, passa a ser uma verdade, não apenas referências e sim fatos.

Todo novo produto, negócio, mercado, devem ser analisados com prudência, acompanhados pela ousadia.

Ousar pouco é não ir além, ousar demais é utopia.

Prudência demais é timidez, de menos é irresponsabilidade.

Use a lógica, prepare seu planejamento com bons referenciais e embase suas projeções com bons fundamentos, mas tenha consciência que planejamentos são meios para tentar chegar o mais próximo possível da verdade, não é a verdade, ou a realidade em si.

Nos negócios – a filosofia é um bom campo para nos apoiar nessa afirmação – existem diversos fatores imponderáveis que se apresentam apenas quando estamos em campo, sendo, muitas vezes, decisivos para mudar o curso de toda a nossa direção.

O preparo para exercer a realização planejada com eficiência, indo pelo caminho traçado, ou desviando-se dele, é o único meio para garantir bons resultados no decorrer do percurso.

Tudo é matemática, teus acertos, erros, escolhas, podem ser analisados e calculados, sempre, de forma exata… o pequeno detalhe é que na maioria das vezes não temos os fundamentos para formar a equação certa, sendo assim, a resposta dificilmente será exata.

Toda boa idéia deve passar pela análise de um bem estruturado planejamento mas, muitas vezes, não devem se limitar a eles por serem apenas referências e não realidades.

Unir a experiência, consciência e a lógica matemática, são os melhores meios para projetarmos com referências e realizarmos com mais eficiência.

Caminhar sem sobressaltos, esperando interferências e obstáculos é aliar a matemática com a sua experiência.

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Heráclito e a liderança

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“Tudo flui… nenhum homem pode banhar-se no mesmo rio por duas vezes, porque nem o homem, nem a água do rio serão os mesmos”

Heráclito, que viveu nas ilhas mediterrâneas, assim como Tales, escreveu essa frase há aproximadamente 500 anos a.c.

Na frase, ele consegue expressar a síntese de sua filosofia, onde tudo o que é um dia não será mais. Tudo flui e permanece em constante movimento.

Sustentava que só a mudança e o movimento são reais e que a identidade das coisas iguais a si mesmas são ilusórias.

Todo o mundo é um constante fluxo perene onde nenhuma coisa é jamais a mesma, tudo se transforma em constante evolução.

Criou em seus pensamentos a unidade dos opostos, onde tenta explicar que por mais que algo mude, a aparência não determina que se perca a essência.

A teoria da unidade dos opostos é talvez o aspecto mais original de seus pensamentos, para ele, a lei do mundo reside no relacionamento de interdependência de dois conceitos opostos que lutam contra si, mas, ao mesmo tempo, não se separam já que um vive em virtude do outro. Talvez nem existissem se ao mesmo tempo não existisse seu oposto.

Se nos encontrássemos de frente para uma subida e víssemos um amigo do outro lado, ele diria que é uma descida, ou seja, não são caminhos diversos e sim o mesmo, vistos por ângulos opostos.

Por isso, as vezes, verdades divergentes não são opostas e sim apenas situações vistas por outros ângulos.

São justamente esses opostos que formam tudo o que é.

Eliminar as lutas e as contradições é extinguir a realidade, evitá-las é esquecer a origem de tudo.

O que gera a unicidade e o aperfeiçoamento de cada condição é exatamente a luta permanente de forças opostas

A luz só existe porque temos o escuro.

A alegria, pela tristeza.

O som, pelo silêncio.

Sua empresa pode ser líder, apenas porque existem concorrentes.

É na luta pelo seu mercado, na conquista de seu consumidor que você se movimenta, aprimora suas práticas cria novas e melhores posturas.

Mas não se esqueça que tudo flui, portanto liderança isolada e permanente não existe.

Por mais que sua empresa seja líder em seu setor, ainda que conte com uma ampla margem a frente do segundo colocado, um dia, por mais que isso demore, muda.

Temos inúmeros exemplos históricos disso.

O Egito como nação soberana, foi perdendo seu posto no decorrer de séculos, assim como aconteceu com a Grécia, com o Império Romano ou até mais recentemente no Império Napoleônico e assim por diante.

Cada um por um erro estratégico, ou as vezes apenas por permanecerem estáticos diante das mudanças, o fato é que para permanecermos, precisamos nos mover, sempre.

A verdade de hoje não será a prática de amanhã.

Grandes conglomerados perderam suas forças porque não souberam adaptar-se às novas realidades.

Motivos que posicionaram sua empresa como líder, ou fizeram de sua carreira um sucesso, amanhã serão abalados e transformados.

Não é uma questão de pessimismo ou desilusão, ao contrário, é o acompanhamento histórico de que tudo flui e nada permanece estático, sendo assim, tuas ações, atitudes e estratégias, para que permaneçam vencedoras, tem que ser recicladas de acordo com o tempo, adversários e interferências.

Administrar e empreender com sucesso é enxergar antecipadamente a transformação que seu meio está sofrendo, antecipando-se, adaptando-se.

Posturas absolutas e posicionamentos permanentes devem ser desacreditados.

Nada é estático e confiável em sua permanente forma já que a mudança e a transformação são as leis do universo.

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O Segredo: A lei da atração e a filosofia

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Atualmente, ainda mais em sociedades díspares financeiramente, como a nossa, livros de auto-ajuda, conquistas rápidas, ganhos repentinos e teorias milagrosas de aspectos intangíveis movimentam bilhões de dólares nos mercados editoriais e alcançam enormes sucessos quando chegam até os sedentos leitores que necessitam de um alento para suas vidas tão difíceis.

Não é muito diferente do que a religião oferece, quando mostra que os melhores caminhos são os que devem ser seguidos segundo seus preceitos e práticas, elaboradas por alguns líderes, seguida por milhares de pessoas, diferentes mas unificadas.

Tenha fé e alcançará não é um conceito tão novo como a autora do livro quer fazer crer, é apenas uma nova roupagem para um conceito secular.

Teorias simplistas não são derrubadas por terem em sua essência um ponto de verdade, ainda que não se justifiquem na totalidade.

Acreditar que você pode realmente te prepara e conduz para a conquista, mas o simples acreditar não te faz ir além se apenas sentido, isoladamente. Não há milagre, não há segredos.

Da mesma forma, alguém que é um permanente pessimista, desacredita de tudo e de si próprio, obviamente tentará timidamente, lutará comedidamente e quererá menos, sendo assim, fatalmente não irá tão longe.

Esses princípios básicos, óbvios e verdadeiros são a essência de uma teoria desprovida de qualquer fundamento filosófico e mais profundo, mas por “iludirem” na essência, enganam na forma e conquistam na totalidade.

O papel da filosofia é justamente o questionar ao contrário de teorias simplistas e superficiais que carecem de profundidade lógica.

Se fossem questionadas mais profundamente não teriam o mesmo sucesso e não seriam tão aceitas se perguntadas e vistas na totalidade.

Como propunha Popper, todas as idéias e conceitos devem partir do pressuposto da falseabilidade.

A filosofia é um convite a pensar sobre determinada questão e não a pensar de determinada forma. Um exercício em constante movimento, não uma verdade única, a descoberta de um segredo revelador ou o pote de ouro de práticas existenciais.

Grandes pensadores são os que aceitam o questionamento, já que através destes, formularam suas teorias. São conscientes que novos pensamentos virão e transformarão idéias, refinando, ajustando e engrandecendo cada conceito.

Analisando o livro “O Segredo” e a teoria da lei da atração, podemos observar conceitos tidos como verdadeiros e inquestionáveis. Tentam revelar uma descoberta do que é, sempre foi e jamais deixará de ser.

É considerado pela autora como o grande segredo a ser revelado para a humanidade que, por milênios, desconheceu suas práticas de uma forma geral e apenas uns, poucos, vencedores, tiveram acesso a tais conhecimentos e, por isso, se destacaram e foram vencedores.

Para a autora, tudo o que nos chega veio, antecipadamente, através de nossa mente, atraído pela imagem que formamos de determinada situação.

Tudo o que pensamos e visualizamos, mentalmente, atraímos em nossas vidas.

Para ela, poucos como Platão, Galileu, Einstein, tinham conhecimento de tal lei e por isso tornaram-se vencedores e de tal forma admirados.

Tal descoberta “tão profunda” e feita aleatoriamente no acaso, fez com que a autora tentasse firmar sua tese visualizando em nossa época outros “detentores e praticantes” de tal conhecimento. Cita então alguns pensadores, palestrantes, empresários e filósofos afirmando que o segredo para tudo o que você quiser, sem limites, é o simples pensar que acontecerá, acompanhado do visualizar, daí você atrai tudo o que deseja.

Para “O Segredo”, a lei da atração se baseia na idéia de que nossos pensamentos geram um impulso que o universo capta, atraindo assim, tudo o que nos concentramos, conscientes ou não. Dessa forma, nosso papel é nos concentrar e deixar o resto com o universo.

O simples pensar, acompanhado do visualizar, fazendo com que você viva como se já estivesse diante de tal realidade te permite conquistar todos os seus desejos, uma teoria com um forte paralelo bíblico sobre a fé.

É interessante que as bases para tais pensamentos metafísicos e um tanto quanto esotéricos, ganham notoriedade quando suas bases são vinculadas a ciências como a física e a química, em uma tentativa de embasar os conceitos do segredo, cientificamente.

Analisando, sob vários ângulos, percebemos que o livro teve sua explosão de vendas nos Estados Unidos, uma sociedade consumista e receptiva para tais argumentos.

Sua forte repercussão aconteceu em um momento em que o mundo vivia um período de forte aquecimento econômico, abundância material e ganhos financeiros inéditos. Se o livro fosse lançado hoje, em plena crise, será que ganharia os mesmos “seguidores”?

Indo um pouco mais além, o que seria a crise, a junção de vários “pensadores negativistas”, atraindo a recessão?

Ganham mais evidências os ditos que vão de acordo com o que queremos e não necessariamente com o que precisamos ouvir, sendo assim, ao vivermos em uma sociedade onde o lucro fácil e as “loterias” ilustram os sonhos de milhões, pensamentos de conquistas repentinas mexem com a imaginação de muitos.

A riqueza, buscada por muitos e conquistada por poucos, deixa de ser uma constante luta de esforços e tentativas e passa a ser um alvo que se aproxima quase que por milagre, ao visualizarmos que um dia chegará.

E ainda, é a teoria onde o ter vai muito além do ser.

Na essência, tem lógica, mas e na forma?

Apenas o pensamento, sem a movimentação para a direção certa e as atitudes necessárias, conseguiria realmente alcançar o que sonhamos?

Os defensores argumentarão que a tese não se resume ao sonhar e sim ao acreditar, que promoverá a força para lutar e a capacidade de conquistar…. mas, se é realmente isso que o livro quer passar, se é mesmo esse conceito tão óbvio e antigo, onde está “o segredo”? Ou, a revelação de “tal segredo” é apenas uma jogada de marketing sem apresentar nada de novo e tão pouco profundo?

Para que tais teorias sejam aplicadas a autora não leva em consideração o caráter histórico, social, tornando a teoria subjetiva e superficial.

Esquece também do individualismo emocional, que o que pensamos vem de acordo com o que podermos pensar, baseados em nossas formações, aceitações, posições, realizações, ensinamentos, sociedade, exemplos, leis, deveres e direitos, incentivos, interferências educacionais, hormonais, etc..

A proposta do livro me soa como uma hipnose coletiva onde todos devem pensar da mesma forma, seguir os mesmos preceitos, não questionar tais ações e por fim, receber inconscientemente o que a consciência voluntária e programada, plantou.

Outras formas de se questionar tais segredos são, se TUDO o que é, vem movido por nossas mentes e o universo reage segundo o pensamento isolado de cada um, como podemos explicar as vitórias de um sobre o outro quando dois pensam com o mesmo objetivo?, em times de futebol, quando apenas um ganha…as vitórias são determinadas pelo pensamentos, ou treinamentos?

Se dois seres, conscientes do segredo, buscam a riqueza em frentes e direções opostas onde apenas um dos dois pode ir além, como conciliar o vencedor e o perdedor? Por suas ações assertivas ou pelo simples fato de que sua fé foi maior?

Como explicar desastres coletivos, quedas de aviões, tsunamis, torres comerciais derrubadas, guerras criadas, todos os envolvidos estavam emanando a mesma e trágica vibração, simultaneamente?

E quando um suicida sobrevive ao seu ato? Quis, sem querer?

Poderíamos evitar todas as doenças, através de um permanente pensamento positivo, eternizando-nos?

Questões como o que é vencer, ser bem sucedido e conquistar, são profundas demais para sofrerem uma análise mais complexa pelo livro, sendo assim, suas essências e conceitos epistemológicos são ignorados.

“O Segredo” vai mais além quando diz que a depressão é também perfeitamente manipulável com a consciência de tais segredos, ignorando fatores químicos hormonais, disfunções neuronais, patologias mentais, etc..

A tese é ainda mais simplificada quando diz que possuímos dois tipos de sentimentos, os bons e maus.

Sabemos diferenciá-los porque um nos faz sentir bem e o outro mal.

Aspectos culturais, sociais, temporais, mais uma vez, são totalmente ignorados.

Sendo assim, posso ir além com inúmeros outros questionamentos ou refutações que demonstram a fragilidade da “lei da atração”, mas será mesmo necessário?

A conquista está realmente em nós.

Irremediavelmente nossas ações geram resultados, mas não chegam por ações tão simplistas e sim com movimentos e posicionamentos.

Capacidade de lutar, ir além, desenvolver, buscar, combinados com o aspecto social de nossa realidade, suas interações, alianças, insistências e possibilidades, políticas, formações, acertos involuntários, caminhos impensados e tantos outros fatores e realidades imponderáveis determinam o resultado muito além do simples querer.

Vale ainda, reescrever a frase de Schopenhauer, “podemos querer o que queremos?”

Em determinados momentos de nossa vida temos sucessos e fracassos, momentos de vitórias e invariavelmente crises, seja em uma relação amorosa, trabalhos, amigos, saúde, nada é estático e temos que nos preparar para todas as situações, convictos que até nas crises surgem excelentes oportunidades.

Para que tenhamos certezas mais certas, lógicas mais racionais, conscientes e assertivas devemos nos preocupar em conhecer as verdades e seus “segredos”, de mente aberta, imparcialmente, ainda que nos choque, ainda que vá contra nossos sonhos, ainda que não alimente esperanças.

Use a fórmula de Sócrates para analisar “O Segredo” e verá sua inconsistência.

Questione quaisquer verdades com perguntas imparciais e conscientes, criando sua visão específica de um mundo que não tem uma forma final, aceitando duvidar, perguntar, entender e não seguir por ser o mais simples, agradável ou fácil.

Teorias coletivas e conceitos inquestionáveis são tão passageiros quanto seus autores e suas certezas.

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Tales, o início da filosofia e o fim da água

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Qual a origem de suas idéias?

Você já teve que criar algo e a idéia não vinha ou o pensamento não fluía e você não pôde ir além no desenvolvimento de alguma realização?

Algumas pessoas acreditam que pensamentos originais são privilégios de alguns, portanto, se acomodam intelectualmente e não tentam criar, ir adiante.

Tales não pensou dessa forma e inovou, como jamais haviam feito anteriormente.

Foi o primeiro a tentar entender o mundo pela razão, sem as explicações das religiões ou tradições, iniciando o pensamento racional ocidental, por volta de VI a.c, nas ilhas mediterrâneas.

Era o início da filosofia, da discussão de idéias. Os primeiros conceitos se formando, promovendo o debate, a contestação em pensamentos que se confrontavam e se aprimoravam.

Em sua teoria, Tales concluiu que o mundo material tinha um elemento como origem de tudo, a água.

Hoje, após milênios de pesquisas e observações, a ciência vê no Big Bang, que foi a explosão de uma energia altamente concentrada, como a mais provável origem de tudo, mas, sem a física moderna, Tales foi capaz de intuir da mesma forma, tendo um elemento primário, ao invés da energia, a água.

Seu raciocínio o levava a acreditar que tudo se formou tendo essa origem, por tudo ser água.

Observando, via que a água tornava-se pedra quando congelava, ou vapor, quando sofria altas temperaturas. Ia além então, vendo que sempre que chovia as plantas brotavam da terra, sendo assim, tudo era variação ou partículas d´água já que tudo que vive, precisa dela.

Suas observações iam mais longe quando ele afirmava que a terra terminava toda em água, portanto, toda terra em sua extensão permanecia flutuando, sendo sustentada por ela.

Entre suas realizações, pôde, no século em que viveu, sem recursos e instrumentos sofisticados, prever um eclipse solar e até mesmo conseguiu dividir as águas de um rio para a passagem de um rei.

Em um momento interessante, quis provar que os filósofos podem fazer dinheiro e quando não o fazem é, por desinteresse.

Investiu tudo o que tinha no aluguel de prensas de azeitonas, fora da safra, na época da colheita, recolheu os dividendos cobrando altos preços dos produtores quando precisaram das prensas que estavam em seu poder.

Se para Tales, há milênios, a água era a origem, o que diria se vivesse no século onde questionamos que podemos sofrer, no futuro, com a ausência de água potável?

Eu, sinceramente, não compartilho dessa idéia de que as próximas gerações sofrerão recessão de água já que me parece claro que os processos de dessalinização estão avançando e já é possível encontrar, em alguns países, tecnologia suficiente para fazer o custo desta transformação algo viável para a sociedade, equiparando quase ao custo do tratamento da água doce.

Em um futuro, onde a água doce deixe de ser opção, grandes empresas entrarão nesse mercado, fazendo com que em princípio o custo torne-se alto e com o decorrer do tempo, pela concorrência que sempre surge, o custo não será diferente do que é hoje, mudarão apenas os processos.

Aqui vemos a origem dos pensamentos em três formas diversas.

Em casos como o de Tales, são criados pela inaceitação das idéias vigentes e das respostas convencionais.

Em outros casos, os pensamentos originais surgem da necessidade de sobrevivência, como é o caso da dessalinização.

Por fim, geramos novos pensamentos pela necessidade da permanência ou crescimento em nosso trabalho.

A formação dos pensamentos não depende de iluminação ou inspiração sobrenaturais e sim de muita observação e questionamentos.

É no exercitar permanente de seu intelecto que você poderá criar, inovar e concluir, ainda que não tenha os recursos que espera, poderá independer-se de idéias precedentes e referenciais.

O pensamento de Tales foi extremamente original para a sua época e por séculos a humanidade não foi capaz de gerar nada mais original… ainda que hoje saibamos que não era verdadeiro, foi, para aquela ocasião.

Nossa preocupação não deve ser, sempre, criar verdades absolutas e inquestionáveis e sim apenas a melhor solução para o contexto e a época em que vivemos.

Idéias como a de Tales hoje são ultrapassadas… a dessalinização, que ainda não chegou em plena força, um dia talvez também seja.

A questão é que chegará um tempo onde tudo que é deixará de ser e ainda que possamos errar, a idéia de construir algo produtivo irá gerar questionamentos, debates, idéias aperfeiçoadas e aprofundamento ideológico, estruturando novos conceitos e práticas, sendo assim, nada, jamais, é um erro total, assim como nada será um acerto completo.

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Arquitetura, Aparência e Produtividade

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“Beleza é a promessa de felicidade” disse Sthendal.

Aparências são idiomas… lemos e interpretamos a beleza, conforme nosso  conhecimento, possibilidades, conscientes ou não, interpretamos e entendemos suas mensagens, daí formamos nosso gosto.

Alguns, ingenuamente, acham que a valorização do belo ou da aparência é superficial, é simplista, desnecessária.

Diversas correntes filosóficas tentaram minimizar o aparente, acreditando que não continha, em si, valor mensurável.

Eu, como esteta assumido, vejo nos detalhes do aparente, aquilo que percebo do escondido, nas entrelinhas das formas.

Quem já teve a oportunidade de observar um quadro em um ambiente sem a menor condição estética, sabe diferenciar como o aspecto aparente, físico, interfere e cria um espírito propenso a ter determinadas sensações. Daí,  um grande, suntuoso e imponente museu, têm a possibilidade de reforçar o belo de cada obra de arte.

Para Platão, a arte não passa de uma imitação do que é visto, ou seja, é uma reprodução de um objeto que já é uma cópia imperfeita, porque foi percebido pelas idéias. Sendo assim, a arte é apenas a ilusão do que é percebido como real.

Kant afirmava que a satisfação só é estética quando ausente de fins subjetivos (interesses), ou objetivos (conceitos). Na avaliação estética, levamos em conta a harmonia, de acordo com a nossa percepção, através de nossa inteligência.

Hegel acreditava que a raiz da arte está na necessidade do homem de objetivar seu espírito, transformando o mundo e se transformando.

Para ele não era uma imitação da natureza, mas a intenção de transformá-la, a fim de que, pela arte, o homem possa exprimir a consciência que tem de si mesmo.

Umberto Eco vê que o belo está em todos os lugares e é sinônimo do bem, da verdade, reflete uma conjunção harmônica de beleza física e virtude.

Usa como exemplo as igrejas históricas, onde os vitrais da arte gótica exibem a perfeita proporção arquitetônica.

Originado no século XII, esse princípio estético considerado ideal, representa bem a dualidade medieval belo-divino, uma vez que permite a entrada de luz (sinônimo do divino) e cores onde antes era escuro, negro, pesado.

Todas as grandes instituições religiosas têm na arquitetura parte de suas mensagens, desde a construção externa, a decoração das igrejas,  simbolizam e conduzem à religiosidade, à reflexão e produzem efeitos subliminares necessários para determinada crença.

Desde o período medieval esse conceito era conhecido e praticado.

Do catolicismo, ao judaísmo, ao islamismo, budismo e assim por diante… será que são fatores sem importância?

Pensar em decorar a sua casa com determinado estilo, ter móveis com certos designs, é, por muitos, considerado superficial, desnecessário e até fútil, mas não pelas grandes igrejas, templos e construções que tenham como intenção ser símbolo do que querem produzir.

Você pode observar que a beleza não é algo tão superficial quanto muitos crêem e que a estética tem forte influência em nossas vidas, em todos os seguimentos.

Mesmo na aparência pessoal, que muitos julgam superficial, estão intrínsecas mensagens subliminares biológicas que encontramos na antropologia.

O parceiro ideal, quando encontramos alguém que consideramos bonito(a) vai além da beleza em si e diversos outros aspectos como segurança, saúde, força, etc., são percebidos.

Temos nas formas, a representação de valores que buscamos e precisamos, por isso ainda hoje, parte das construções retrocede a períodos antigos sem ter paralelo com o progresso, a tecnologia e o tempo em que vivemos.

Inspirar-se em clássicos é, em parte, deixar-se levar pelo conhecido.

Se um grande empresário tem determinado gosto, um milionário tem predileção por certa arquitetura, ou um artista renomado vive em uma casa com certas características, tendemos a achar que eles devem saber o que fazem. E se são bem sucedidos e vencedores, em teoria, nós seriamos iguais, se vivêssemos no mesmo lugar, na mesma situação e tivéssemos os mesmos hábitos, é nisso que acreditamos, ainda que inconscientemente.

Estas idealizações nos conduzem quando vemos mansões clássicas, castelos centenários, etc..

A aparência é muito mais quem queremos ser do que na realidade quem somos.

Se a aparência está em nossa vida, em todos os aspectos, desde os produtos que compramos, na casa que vivemos e decoração que usamos, carros, roupas… de que forma a aparência de sua empresa interfere no rendimento dos funcionários?

Ainda hoje, poucas empresas investem na construção de um ambiente que proporcione produtividade e desenvolvimento.

A sensação que você tem no local onde trabalha será determinante para seus resultados.

A empresa que você trabalha te conduz a sentir e pensar o quê?

Ela oferece as condições necessárias para que você produza, da melhor forma?

Um lugar que não oferece conforto, fatalmente será rejeitado, mas, partindo do pressuposto que todos ofereçam, quais seriam os esteticamente mais apropriados para determinados fins?

Seu escritório oferece um ambiente gerador de idéia, eliminador de estresse e incentivador produtivo?

Eu responderia essas questões entrando em uma reflexão direcionada para o conteúdo e forma, tendo como base a imagem absorvida e que reações causa.

É incompleto investir milhões na construção, manutenção e treinamento, de sua empresa e funcionários, sem analisar o local onde trabalham e que possibilidade sensorial oferece.

Quando escolher um novo escritório ou construir as novas instalações de sua empresa, contrate um arquiteto que tenha, mais que uma visão estética e funcional, elementos geradores de idéia, bem estar e por conseqüência, terá uma empresa mais bem sucedida.

Já prestei consultoria para empresas que tinham situações antagônicas, que devem ser analisadas.

Passei em empresas onde os ambientes insuportáveis, cansativos e desagradáveis, transferiam ao profissional a impossibilidade de permanecer ali e, claro, como conseqüência, o índice de rotatividade era enorme e todos mal viam a hora de terminar o dia de trabalho.

Encontrei também dificuldade em conseguir obter bons rendimentos de profissionais do setor comercial que deveriam estar na rua visitando clientes, em cidades onde o calor era insuportável e o ambiente da empresa, com todo o conforto, bebidas refrescantes e ar condicionado, eram fatores que convidavam a estar e não a ir.

O caminho para a produtividade é adequar cada setor ao seu ambiente, portanto, gastos na instalação do local onde você trabalha, mais que um custo a ser minimizado, é um investimento que colherá retornos concretos e objetivos, abrigando profissionais mais satisfeitos e produtivos, é mais lucro e melhores resultados para todas as empresas.

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George Soros: A visão de um capitalista sobre o capitalismo

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Um dos investidores mais bem sucedidos em todos os tempos na história das aplicações financeiras é George Soros.

Considerado por muitos como mero especulador, para outros é um gênio das finanças.

Soros têm na base de suas ações a filosofia, foi aluno de Karl Popper, que o influenciou fortemente com as teorias da “Sociedade Aberta”.

Entre seus diversos livros, trata de conceitos de desequilíbrio dinâmico e estático, das crises do capitalismo e os seus limites.

Afirma que o atual sistema de especulação financeira deixa em grande perigo os países subdesenvolvidos.

Para ele, muitos problemas recentes que enfrentamos nas sociedades vêm do que intitula como “fundamentalismo do mercado”.

Acredita que o capitalismo deveria ser uma economia mista, regida por uma forte figura central reguladora de mercados internacionais e que tivesse como finalidade corrigir as distorções causadas pelos excessos individuais, uma idéia que se tivesse sido formada antes, não teríamos vivido essa crise.

Soros define uma diferença entre ser um operador no mercado e o trabalho que desenvolve para mudar as regras que os operadores devem seguir, um grande contraste em suas atitudes que, segundo ele, criariam um mercado mais seguro, ainda que tivesse perdas financeiras por isso.

É acusado por alguns de ser o responsável por múltiplos desastres financeiros na Inglaterra, Leste Europeu, Tailandia, etc…em resposta a isso, diz que age em duas frentes, como operador aceita participar dos riscos que o mercado oferece, ainda que visualize perigos e desastres, aceita ser mais um dos jogadores que participam do jogo, como ele é, ainda que queira mudar suas regras.

É um contraste inusitado ver quando um dos maiores jogadores do sistema é um de seus maiores críticos, apontando suas falhas e mostrando quais seriam os caminhos mais seguros para seguir.

Acredito que Soros tenha uma das mais lúcidas visões sobre o que o capitalismo nos oferece, seus interesses e fragilidades.

Essa crise que o mundo sofre não foi apenas originada pela perda de bancos que ofereceram dinheiro sem as devidas precauções, como muitos afirmam.

Existem interesses muito maiores, ganhos astronômicos onde poucos privilegiados participam em detrimento de muitos outros que perdem.

O sistema permite e é frágil propositadamente para que alguns se beneficiem diretamente disso, independente dos estragos causáveis.

Para mim, Soros deve ser um exemplo entre saber separar com consciência os seus interesses de suas práticas.

Quero, com isso, dizer que muitas vezes você está dentro de um trabalho e se preocupa em defender com unhas e dentes as práticas que realiza, ainda que veja falhas e inúmeros erros.

Estar em um trabalho e encontrar falhas é a tentativa de melhorar o que você realiza, não entra ai hipocrisia ou demérito.

Existem alguns pontos importantes, o primeiro é saber que ainda que você faça parte de uma estrutura e participe de suas práticas, em tudo há falhas, daí como um profissional competente teus atributos devem ser direcionados para a resolução de tais fraquezas.

Outro ponto importante é saber ter a diplomacia necessária para ser um crítico bem vindo e não um acusador insuportável.

O fato de encontrar falhas é com a finalidade de buscar soluções e não trabalhar insatisfeito, acusando a tudo e a todos, sendo intolerante e intratável.

O sistema capitalista tem inúmeras falhas assim como sua empresa também tem, buscar erros com a premissa de impor acertos é a prática que todos devemos ter, sabendo agir com sabedoria, temperança, comedimento e respeito ao que está ao teu lado.

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Popper e a busca da verdade

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“Cada vez quem uma teoria te parece ser a única possível, veja como um sinal que você não entendeu nem a teoria nem o problema que se pretendia resolver”

Essa frase acima é de Karl Popper, um filósofo recente, morreu em 1994 e foi considerado um dos mais influentes do último século.

Popper cunhou a expressão racionalismo crítico para descrever sua própria aproximação à filosofia.

Criou o termo “falseabilidade” para designar que em princípio toda teoria é falsa, a saída então é comprovar sua veracidade.

Usava um exemplo. Ao ver um grupo de cisnes brancos a tendência é que achássemos que todos os cisnes existentes, são brancos.

Para ele é uma afronta a lógica já que, como lemos no método socrático, as regras têm exceções e supor que se pode passar de uma série de constatações singulares para verdades universais, existe uma grande diferença.

Para isso, temos como obrigação observar todas as teorias encontrando seus pontos falhos, fortalecendo-as ou destruindo-as.

Será que aquele teu projeto é bom?

Aquele trabalho que está realizando, tem coerência?

Todas as idéias partem de seres limitados, portanto tem falhas e fraquezas, guardam, em sua essência, diversos pontos fracos pois herdam, “geneticamente” nossos limites.

Essa, ao contrário do que muitos pensam, é uma boa notícia.

Descobrir as fraquezas do que você criou é a única forma para fortalecer sua idéia, ou desistir dela.

Parta do pressuposto que sua idéia não é a ideal já que terá pontos fracos.

Esmiúce a fundo, mergulhe em todos os seus pontos, veja por todos os ângulos onde irá encontrar falhas, sem tentar minimizar ou ocultar os erros, ao contrário, encontre soluções, aprofunde, fortaleça e crie uma idéia, um projeto ou uma realização que possa sobreviver as tempestades porque sua estrutura é sólida.

Seja em um projeto, seja em uma empresa, tudo contém pontos fracos e é a tentativa de minimizar, para fortalecer, que devemos buscar incessantemente.

Quando o setor comercial não avança, o marketing que não cria nada tão novo, ou a produção permanece estagnada sem progressão e estática, existem limites mais pelas idéias que pelas ações em si.

TODOS os setores de sua empresa podem expandir, sem exceção, resultados progressivos constantes devem ser buscados com consciência e não com a pressão típica de quem não sabe coordenar e sim impor.

Todos os profissionais devem se reunir constantemente no intuito de reciclarem suas idéias, renovar suas práticas, encontrar, permanentemente, soluções criativas e que serão decisivas no progresso do seu setor.

Ainda que a totalidade seja inalcançável, nosso trabalho deve ser de nos aproximar ao máximo dela, a cada dia, sem a ilusão de que o que você criou é inquestionável.

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Filosofia nas empresas… por quê?

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Entre tantos textos e reflexões, aos que questionam de que forma a filosofia pode contribuir, positivamente, para a elaboração e a possibilidade de um trabalho e uma vida melhor, quero fazer uma pequena análise.

Ainda que você não perceba a filosofia está, permanentemente, nos rodeando, em todos os momentos.

Como seres pensantes, portanto racionais, refletimos sobre nossas posturas, atitudes, ações, vivendo em reflexão.

Alguns a buscam superficialmente, outros mais profundamente, as suas maneiras, todos filosofam.

Quem nunca questionou sobre os impostos que o país determina que você pague?

O que é liberdade, igualdade… por que, de onde se originaram e são justos os direitos e deveres do cidadão?

Em justiça, o que é culpa e inocência? Diante de que ângulo ou julgamento as penas são justas e até onde imparciais?

Quais as melhores formas de governo e, diante do que vivemos, quais os melhores governantes?

A corrupção é uma prática normal e aceitável, ou você a refuta com veemência e por quê? Que reflexos dela respingam em você?

Na medicina vemos uma rápida evolução de resultados, pesquisas, tecnologias. A corrida pelo mapeamento genético é benéfica?

Quais os limites das curas?

Temas como clonagem, células tronco são ou deixam de ser éticos?

E o que é ética? Para que fim nos serve?

Encontrar soluções para a extensão e melhoria da vida interferem em uma questão metafísica? Quando o homem ultrapassa o seu papel e busca “ser deus”?

E o que é Deus, ele existe? Se existe, de que forma?

A filosofia não tem limite, nós temos.

Da justiça à medicina e ciência, religião, arte, política e em todas as profissões e contextos ela se apresenta de variadas formas e tons.

Nossos questionamentos vão além do simples sentido etimológico, para isso, dicionários responderiam nossas dúvidas.

Buscamos sentidos aparentes e escondidos, o que vai além, suas aplicações, definições físicas e metafísicas.

Responder perguntas, das superficiais às mais complexas, promover o nosso bom entendimento das principais práticas, conceitos e explicações, com base em experimentações, sensações, percepções, emoções e razões, é o papel fundamental do pensar, sendo, inclusive, o próprio pensar, amplo material de profunda análise.

Tudo o que questionamos parte de uma reflexão racional, por esse motivo, a própria racionalidade é motivo de reflexão, entre seus limites seguros, arbitrários, possibilidades e utopias.

Podemos, realmente, saber as respostas para todos os temas?

Respostas parciais ou completas? Permanentes ou temporárias?

É possível, ainda, saber o que podemos saber?

Existe isenção na busca do conhecimento, com liberdade e sem interferências emocionais e sensoriais?

Nossas respostas são confiáveis e absolutas?

Quando questionamos, “Será que há razão em tal argumento?”, queremos, com esse pergunta, encontrar a verdade de tal afirmação. A palavra “razão”, que vem de racional, nos mostra que buscamos as verdades segundo nossa consciência, empiricamente.

Trazendo a filosofia para a prática do dia a dia das empresas, entre tantos questionamentos, pensamos em alguns como:

O que é uma empresa?

O seu objetivo é realmente ter lucro?

Já que o lucro é o benefício direto que o negócio gera em sua realização, que malefícios poderia causar quando outras questões estão envolvidas?

Na análise do “organismo empresarial”, destacamos funcionários, fornecedores, colaboradores. Nesse aspecto, como será o relacionamento que sua empresa estabelecerá com eles?

De que forma eles também poderão se beneficiar de sua lucratividade?

Quais os limites que você deverá impor ao seu próprio negócio quando este interferir negativamente na vida de pessoas?, direta ou indiretamente…

Você agirá na informalidade ou realizará todos os trâmites para que sua empresa se enquadre na lei de seu país, por quê?

Você quer crescer, até quando, quanto e para que?

Quais estratégias adotará para ir adiante em seu mercado?, de que forma vencerá os concorrentes?, há limites para o seu sucesso?, há limites para prejudicar um concorrente?

Em um mundo onde milhares de informações nos chegam mastigadas todos os dias, a promoção do pensar talvez não te soe tão atrativa, mas esteja certo que te proporcionará resultados mais eficientes em todas as áreas que aplicar seu conhecimento.

Dentro das empresas e carreiras, com a finalidade de promover questionamentos e por conseqüência, gerar soluções, a filosofia será sempre um fator de vantagem competitiva para os que a aplicam.

Através de respostas mais prudentes e coerentes, em todas as situações, você tem no conhecer a possibilidade para viver de forma mais consciente, exercendo práticas que se relacionam a vida, em seu próprio trabalho.

Aplicar a filosofia no teu dia a dia não te oferecerá conhecimentos inquestionáveis, saberes ilimitados ou verdades absolutas, mas será um novo mundo com novas cores, tons, iluminações, texturas e formas, partindo do princípio que saber buscar as respostas, elaborando melhor as perguntas, já é uma grande vantagem.

Encontrar sentidos, antes ocultos e aplicar em suas práticas, profissional ou existencial será sua porta de entrada para ser um profissional mais completo, preparado, consciente e, como conseqüência, com mais ganhos.

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Sócrates e os investidores

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A economia mundial sofre grande crise!

Algumas empresas não sobreviverão!

Muitos empregos se perderão!

Uma catástrofe global!!!

Você tem lido, ou ouvido, muito sobre essas palavras ultimamente não?

Acompanha as bolsas de valores, em quedas repetidas, com investidores em fuga para tentar salvar o patrimônio, como se as bolsas fossem terminar, ou as empresas onde aplicam seus investimentos, quebrar.

Vemos o “efeito manada” das bolsas…os primeiros saem, outros acompanham, sem ao menos saber porque o fazem, mas sim pela simples suposição de que se os primeiros fizeram, devem saber porque o fazem.

Não questionam a fundo tais atitudes, acreditando ser o certo, porque é o que a maioria faz.

Será que o que a maioria faz é sempre o certo?

No caso dos investimentos, a premissa de que os primeiros “sempre” sabem o que estão fazendo, nem sempre se confirma em realidade.

Os maiores investidores vão, muitas vezes, contra a maré.

A maioria não tem o costume de questionar porque intui que o questionar é um círculo sem fim, que o levará a outras respostas que não precisariam se importar e até então, não o angustiavam.

Ao contrario, Sócrates acreditava que o conhecer vem apenas precedido do perguntar, questionava a tudo e a todos, tentando mostrar o quão superficiais eram determinados pensamentos, para isso, tinha uma fórmula.

Criou cinco etapas para formular a melhor resposta:

1-  Tenha como base, aquele conceito que a maioria acredita ser o certo.

Por exemplo:

Os que ganham mais são mais felizes em seus trabalhos?

Ainda, precisamos construir uma família para sermos felizes?

2-  Depois disso, ache as exceções das regras.

3-  Se existir apenas uma exceção que seja, isso significa que as certezas, ou afirmações absolutas, são falsas, ou no mínimo imprecisas.

4-  Ache uma nova definição que reforce a imprecisão.

Por exemplo, sabendo que muitos ganham bem, mas não tem estímulos ou incentivos em seus trabalhos, ou que as vezes a construção de uma família com o cônjuge errado, trará dificuldades, o que invariavelmente acontece.

5-  Por fim, siga na tentativa para encontrar o maior número de exceções para as regras e validar assim a posição inversa ao conceito imposto, tido, inicialmente, como absoluto.

Dessa forma, Sócrates acreditava que os conceitos absolutos são os que jamais conterão exceções, portanto imprecisões.

Com seus questionamentos, dizia ser o melhor meio para criar idéias sólidas, sem imprecisões, pré-conceitos ou inverdades.

É o não se conformar com respostas simplistas e imposições tidas como inquestionáveis, ao mesmo tempo que é a diplomacia equilibrada para não criar confusões, ou impor uma idéia.

Com isso, é importante observar que se em todos os conceitos sempre existirão imprecisões, dificilmente chegaremos a uma resposta com total solidez, o que não significa que o método seja impreciso e sim que é a forma mais profunda para “manter” nossas convicções.

Nossos conceitos devem se basear em respostas coerentes, ainda que possam ser questionadas (e devem), que sejam para o momento, sua melhor solução.

Evite respostas como “não sei responder, mas acredito que seja assim”, procure validar suas afirmações com argumentações coerentes, sem se sentir agredido e tentar impor, a qualquer custo, sua posição.

Ainda que exista em todos o potencial para uma análise de quaisquer argumentações, nem todos o fazem e muitos insistem em seguir as regras, seja por tradição, quanto por aceitação da maioria ou simplesmente por “preguiça intelectual”.

É o questionar que te oferecerá, sempre, respostas; com tanto que questione imparcialmente e da forma certa.

Confie em tuas decisões, quando sólidas, ainda que reme contra a maré.

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Nietzsche e as Crises

 

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Nietzsche viveu com muitas dificuldades e desafios, em cada obstáculo via a oportunidade de aprender, crescer, experimentar.

Refutava artifícios que desviam, momentaneamente, a reflexão, daí era contrário a religião e a bebida alcoólica, que segundo ele, dois meios de eliminar, superficialmente, os problemas vividos.

Quando enfrentava alguma dificuldade, entrava a fundo em sua essência, com a finalidade de sair dela sem retrocessos ou resquícios ocultos.

Algumas pessoas vêem a dificuldade e os fracassos como características de grupos isolados. Enquanto fracassam, lamentam-se, tentando gerar piedade pelos seus erros e fraquezas, enquanto crêem que outros são sempre bem sucedidos e vencedores, uma matemática exata que determina o destino de cada um.

A realidade é que existem sempre pequenas doses dos dois, em todos os grupos, o que determina os vencedores não é a quantidade de dificuldades e sim a força em enfrentar com a visão certa o caminho a seguir, sem perder o foco.

Não acreditava que o caminho para o sucesso era objetivo, em linhas retas e visíveis, esperava a sinuosidade com diversos obstáculos e dificuldades como situações inerentes a vida.

Empresários que já passaram grandes dificuldades retornam mais fortes, mais dispostos, observadores, interessados e invariavelmente não desanimam por qualquer situação.

Frases de fuga como “Não está acontecendo”, ou “Não vou me preocupar com isso”, é não querer enxergar a situação, o que não altera a realidade em si, apenas escurece as percepções.

Em época de crise, desesperos coletivos, excitações imprudentes, desequilíbrios temperamentais, cautelosos dirão para não avançarem e ousados virão uma oportunidade única de ir adiante, adquirir terrenos, quem terá razão?

Não há uma resposta para este momento, não somos um e nossas atitudes não terão uma única e igual conseqüência.

Em alguns setores, esta é a hora de avançar com extrema ousadia, pautada no planejamento antecipadamente esperado em momentos como estes.

Outros setores deverão retroceder, esperar cautelosos os próximos passos para que possam ir adiante sem prejuízo de suas investidas.

São generalistas e, portanto, neste caso imprudentes, os que afirmam quais atitudes devemos tomar… somos parte de um organismo capitalista que tem diferentes funções e suas reações tem que ser analisadas isoladamente, de formas e cuidados específicos.

Esqueça da crise de forma global e mire o seu setor e as suas ações… este pode ser um momento para conquistar clientes, desde que você não tenha sido prejudicado com o seu fornecimento…

Este pode ser um momento para oferecer mais serviços aos seus atuais clientes.

Ou ainda pode ser um momento para reprogramar-se e direcionar-se para novos mercados.

Ou mesmo, quem sabe, um momento de aquisições a preços convidativos, de fusões benéficas ou de simples observação.

Pare e pense qual o caminho que a sua empresa seguirá, faça um estudo dos caminhos que trilhou, as dificuldades que passou, de que forma fez e como se beneficiaria dessa experiência hoje.

Os que sabem enxergar o negócio na totalidade, mas de forma específica, são os que mais têm chances de manter em pleno e satisfatório funcionamento o organismo empresarial.

Crises e dificuldades sempre existirão, independente de suas formas, fortaleça sua empresa usando as oportunidades que cada tempo e momento, sempre lhe oferecerá.

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Umberto Eco e a Semiótica

 

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A semiótica, ou semiologia, é um tema de estudo de muitos séculos, mas passou a ser estudada de uma forma mais direta e profunda nas últimas décadas, tendo como principal especialista, Umberto Eco.

Filósofo e uma das mais brilhantes mentes ainda vivas, especializou-se na estética, aparências, formas e como conseqüência, direcionou seus estudos para a semiótica.

Eco mostra que o filósofo Santo Agostinho foi o primeiro a escrever sobre a teoria dos signos, que são os símbolos que nos remetem a determinada mensagem, como por exemplo, a cruz, ao cristianismo, a balança significando justiça e ai por diante, ou, em outra definição, a impressão que determinado símbolo causa em nossos sentidos.

Um signo é, em geral, qualquer coisa que nos remeta à idéia de qualquer outra coisa.

Nesse sentido, a semiótica é a disciplina que estuda o fenômeno de significado e comunicação.

Significado se entende cada relação que liga qualquer coisa de materialmente presente a qualquer coisa de ausente, como uma luz vermelha em um semáforo te passa a mensagem de pare.

Então, cada vez que se põe em prática ou se usa uma relação de significado, inicia-se o processo de comunicação.

A semiótica é, portanto, a ciência que estuda a vida dos sinais no quadro da vida social.

Os sinais nos rodeiam de diversas formas, até mesmo através da linguagem que é através de onde é possível conceber e identificar o significado das mensagens que encontramos no contexto social e cultural, seja na publicidade, na moda ou no cinema.

Podemos tratar da semiótica em dois contextos básicos e essenciais.

O primeiro, são os sinais elementares, visíveis e conhecidos, onde todos somos impactados e sofremos a interferência de suas mensagens com fins puramente comerciais, como por exemplo, uma embalagem que tem como objetivo vender o produto que está ali. Então a textura do papel, a sua forma, letras, tamanhos, cores são profundamente estudadas e analisadas para se destacarem, onde estiverem, conquistando a nossa atenção e suscitando nossa intenção de aquisição.

Um carro não é só o meio de transporte que te leva de, para determinado lugar, e sim, um símbolo, que transporta a tua capacidade, os teus conceitos, formando, muitas vezes, a imagem de quem você é ou quer ser. Nesse contexto, suas roupas, objetos como canetas, ou um óculos que use, casa que mora, complementam e reforçam a imagem que você é.

Na maioria dos casos e dentro do seu contexto social, tudo o que você mostra como objeto aparente e material, reafirma sua personalidade e define suas posições, resumindo e limitando você ao que tem externamente para apoiar-se e identificar-se, internamente.

O segundo aspecto, são os sinais invisíveis, imateriais, as linguagens que interpretamos inconscientemente sem que saibamos, muitas vezes, que fazemos.

Conhecida como linguagem corporal, ou linguagem fria, interpretamos posicionamentos sem que o posicionante precise falar.

A sua forma de olhar, seus gestos, postura, andar, voz, velocidade dos movimentos, maneira de conversar, até mesmo a forma de expor seus pensamentos com agressividade, impulsividade, timidez ou insegurança, passam, ao que te escuta, mensagens subliminares que determinarão a tua personalidade e intenções.

Se é assim, que importância tem sua postura e todos os gestos que você usa no seu dia a dia.

Dentro da empresa, de que forma sua linguagem corporal interage com seus colegas do seu trabalho ou de outras empresas.

Enxergar tudo o que tem por trás do que é visto de imediato nos oferece um enxergar mais amplo e um limite mais extenso que te permitirá abrir mais visões.

Uma venda que você fizer, um contrato que for fechado, uma compra realizada, se entendidos e percebidos através de uma ótica mais ampla, te permitirá concretizar negócios mais lucrativos, enxergando o que a negociação te oferece em si e quais benefícios intrínsecos ela irá gerar no decorrer do percurso e em sua extensão.

Uma negociação bem sucedida é, na maioria das vezes, bem realizada quando oferece algo a mais do que o que mostra a primeira vista. É um mercado que será  explorado futuramente, um novo consumidor que espera seu produto, ou mesmo a possibilidade de você manter a sua posição no mercado, sem ser ultrapassado por um concorrente.

Nada é apenas o que se mostra.

O visível é apenas uma pequena parte do amplo rastro invisível que tudo contem, saber enxergar é ver o mundo com mais espaços, cores e formas.

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Platão e o Executivo da Caverna

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Um dos filósofos mais completos de todos os tempos, discípulo de Sócrates e autor de inúmeras reflexões atuais, Platão, entre tantos textos, deixou um que pode ser transportado para a os nossos tempos.

Falo sobre a alegoria da caverna.

Imagine uma caverna, quase completamente escura.

Ali vivem diversas pessoas que vivem de frente para um muro, todas de costas para a entrada, que é de onde entra uma tímida luz.

Estão todos acorrentados, não movem a cabeça, não se locomovem.

Olharam, a vida toda, apenas para essa parede do fundo.

Viveram sem nunca ter saído de lá, sem nunca ter visto a luz do sol e nem mesmo se viram. Olham apenas as sombras, uns dos outros, já que estão imóveis e no escuro, quase total.

As sombras dos que passam lá fora é projetada para esse muro, através da iluminação de uma permanente fogueira, assim, podem ser vistos vultos de pessoas, animais e tudo o que se move, sempre com a visão da sombra e suas dimensões, perspectivas e imagens limitadas, ouvindo ainda os sons distorcidos, porque estão distantes.

Assim passaram todos, diversas gerações, até que um dos prisioneiros resolve tentar uma nova vida.

Consegue se desvencilhar. Vai, aos poucos, se movendo em direção da saída e finalmente consegue chegar lá fora.

A primeira conseqüência física daquele ato é a completa cegueira, já que foi a primeira vez que ele se expõe ao sol.

Aos poucos, quando se acostuma com a luz, tem a possibilidade de abrir os olhos e seguir em frente, sua incredulidade é combinada com a surpresa de ver o mundo real.

Se espanta com a visão da realidade sem se limitar apenas pela projeção de suas sombras, vê, pela primeira vez, cores, luzes, formas em uma nova dimensão e descobre um novo mundo.

Percebe que sua vida inteira, assim como de seus antepassados e amigos, era uma vida sombria, nada além disso.

Determinado, não quer voltar a residir nunca mais na caverna, ao mesmo tempo em que não lhe parece justo deixar que os outros vivam naquele mundo limitado, permanentemente.

Resolve então voltar ao mundo de antes e contar a todos como é o mundo real, para que se libertem e vivam uma nova perspectiva.

Quando retorna, novamente se cega pois o escuro fecha novamente sua visão.

Entra, consegue encontrar a todos e conta o novo mundo.

Todos, em principio, riem dessa idéia utópica e do sonho que ele teve. Não acreditam em suas afirmações, mas quando percebem que ele insiste no que diz, tentam calar suas palavras, a força, espancando-o.

Ainda assim, ele não retira o que diz e fala que foi real, então a solução deles é tomada e para conseguirem que se cale, finalmente o matam…

Em muitas empresas onde passei vi diversos profissionais prisioneiros em suas cavernas.

Acreditando que o mundo se resume a suas convicções, por nunca terem visto uma nova realidade, refutam as novidades e desacreditam de novas perspectivas.

Você já tentou por em prática uma idéia, que tinha plena convicção de seu fundamento e foi boicotado?

Ou foi ironizado pelos que acreditaram que suas experiências eram infundadas e irreais?

A questão não é você…. são eles.

Quando deparamos com pessoas que vivem imobilizadas na caverna, enfrentá-las não é uma opção.

Dizer o que se viu não é viável para alguém que não tem a prévia idéia do que você está dizendo.

Essa idéia deve estar impregnada na mente para que você saiba negociar seus projetos, ou vender seus produtos.

Existem, nesse caso, algumas opções.

1-   Diga, com a linguagem que eles sabem ouvir para, aos poucos, mostrar que sua teoria merece ser, no mínimo, experimentada.

2- Conte, aos poucos, a novidade, pegando pontos de referência, argumentando e ilustrando com casos conhecidos, até chegar ao caminho que você deseja, sem tentar impor idéias e distribuir acusações.

Ser solícito sempre, conquistar credibilidade, estruturar uma imagem de confiança e parceira será útil para que quando chegue o momento onde você deverá expor um novo mundo, tuas palavras sejam mais facilmente ouvidas e compreendidas.

Se o que está em jogo é a vida da empresa, nesse caso, é necessário impor a “melhor verdade”, conhecida, a fim de que a sobrevivência continue.

Consciente de que sombras e cavernas são mais comuns que apenas nas alegorias de Platão, todos nós temos, em alguma área de nossa vida, cavernas escuras e sombrias.

Todos nós desdenhamos de algo que nos parece ilógico e nos comportamos como os prisioneiros.

Dentro de sua carreira, das suas práticas profissionais, tente implantar suas idéias mas com base em que sempre, em algum momento, virá alguém de fora de sua caverna.

Não permita que o matem ideologicamente, estagnando sua criatividade e ações, ao mesmo tempo em que evite ser você o criminoso que impedirá que outros digam suas realidades, segundo seus conhecimentos.

Em minhas consultorias tento sempre mostrar as “boas novas” de um mundo lá fora, respeitando o que cada um enxergou até hoje, ciente que a agressão gera o conflito.

O prisioneiro que escapou na alegoria de Platão foi agressivo na exposição da verdade, sem respeitar todo o tempo que os prisioneiros viveram em outro mundo, estes, sem entender, tornaram-se agressivos com uma novidade ininteligível.

Agressividades geram violência.

Aprender a arte da diplomacia e respeitar o limite de cada um é a maneira mais certa para conseguir adeptos e parceiros, para que por fim, sua idéia seja aceita e seu objetivo difundido.

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